Caso Dandara: cinco réus são ouvidos em audiência e podem ir a júri popular De acordo com o advogado de acusação, as provas são suficientes para incriminar os réus

06/09/2017 - 16h10
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Dandara
Os réus do caso Dandara dos Santos, a travesti de 42 anos brutalmente assassinada em fevereiro deste ano, falaram perante um juiz na tarde dessa terça-feira (5). Foi a 2ª audiência de instrução do caso, que aconteceu na 1ª Vara do Júri, em Fortaleza.
 
Na primeira audiência, no dia 10 de agosto, foram ouvidas seis testemunhas da acusação e nove indicadas pelas defesas. Os acusados foram denunciados por homicídio quadruplamente qualificado, por motivo porte, motivo fútil, meio cruel e com uso de recurso que tornou impossível a defesa da vítima.
 
Familiares dos réus e da vítima compareceram ao local, mas a imprensa não teve acesso aos depoimentos. A sessão foi voltada exclusivamente para promotores, juízes, advogados, testemunhas e as partes envolvidas. Três testemunhas de defesa que não fizeram parte da primeira sessão foram ouvidas, além de cinco dos oito acusados, que foram ouvidos pela primeira vez oficialmente.
 
"Dos oito acusados, cinco estão presos e três foragidos. Alguns entendem, na visão deles, que 'apenas' bateram em Dandara com uma tábua. Outros dizem que 'apenas' deram chineladas. Isso, para o Ministério Público, do ponto de vista processual, penal, eles contribuíram tanto quanto aqueles que atiraram", afirmou o promotor Marcus Renan Palácio.
 
De acordo com o advogado de acusação, Hélio Leitão, as provas são suficientes para incriminar os réus. "Não há nada, nenhuma justificativa, nenhuma escusa que possa justificar esse bárbaro linchamento, essa bárbara execução em plena luz do dia", alegou.
 
Um dos advogados de defesa alega que uma testemunha ocular importante foi dispensada pelo Ministério Público (MP). "Ele dispensou essa testemunha que presenciou todos os fatos, relatou para a Polícia. A parte da verdade real não vai ser esclarecida", disse o advogado Sérgio Ângelo.
 
Para Marcus Palácio, a decisão não compromete as investigações. "O Ministério Público produziu uma prova consistente, substanciosa, robusta, e entendendo que aquela prova já nos dá a certeza da autoria e da materialidade, optou por não ouvir a testemunha que faltou", disse.
 
Dandara foi assassinada no dia 15 de fevereiro, no bairro Bom Jardim. O caso ganhou repercussão mundial após o compartilhamento de um vídeo que mostra a travesti sendo espancada no meio da rua. O registro foi feito por um dos agressores e pouco tempo depois, a vítima apareceu morta, com marcas de violência e dois tiros.
 
O MP tem cinco dias para apresentar as alegações finais. A defesa terá o mesmo tempo para se manifestar. Depois, a juíza vai dar a sentença informando se os réus irão ou não a júri popular.

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